Arquivo para Vida acadêmica
Ano Novo, etc.
Segunda-feira, 7 de janeiro. Para muitos, 2008 começa hoje. Acabaram-se as festas. Quem tem que trabalhar foi trabalhar; quem pode tirar férias foi viajar. Fiquei eu, nesse meu trabalho que tem cara de férias, mas que me dá mais trabalho que trabalho. De volta ao batente.
Começo pelo mais importante e imprescindível na vida do cidadão moderno: o email. Hora de agradecer os Feliz Natais desejados e desejar os desejos de Feliz Ano Novo. A maior parte dos meus emails foi para Toronto, e terminou com a saudação “te vejo antes do fim do mês.”
Tal repetição me fez perceber que 5 meses em Brasília passaram rápido demais. E só o pensamento de que estarei em Toronto antes de janeiro acabar me deu um frio na barriga. Ou será talvez gastrite? Não sei dizer.
O fato é que a partir de hoje vou substituir o café pelo chá verde. Segundo o filme “Alguém tem que ceder,” chá verde tem as funções acordantes do café, sem o efeito colateral de deixar a gente meio maluco. Como nesses dias meu nível de paciência tende a zero, a irritação tende ao infinito, a concentração é quase nula, a fadiga é considerável (apesar do sono bem acumulado durante a folga natalina), e a gastrite ameaça substituir a tendinite só para me manter atenta, decidir começar 2008 a base de chá verde. Vamos ver o que acontece.
Eu tenho pressa, tanta coisa me interessa…
… mas umas coisas mais que as outras…
Dedicação total e exclusiva à vida acadêmica para sempre não é uma delas. Terminar o doutorado sim. Então tive que rever minhas prioridades.
Andei pensando sobre o tema do post passado, eu percebi que tenho um certo hábito de querer abraçar o mundo com as pernas. (Que ditado esquisito!) Em inglês a expressão é “to spread oneself thin”: tradução impossível (espalhar-se finamente?), mas a idéia é a mesma: querer fazer um pouco de tudo e acabar não fazendo nada direito.
Então essa semana eu tomei a (senão sábia, pelo menos pragmática) decisão de fazer de conta que eu me interesso por uma coisa só. Temporariamente, mas fazendo de conta que é para sempre, pelo menos até me formar — de forma a poder me formar. O velho eterno enquanto dure.
Vida acadêmica me interessa, mas um tanto de outra coisa também: e eu tenho pressa. Então, por hora, a resolução é substituir o kid abelha por: atenção… concentração… ritmo… vai começar… e seja o que Deus quiser!
Um pouco de tudo
Eu tinha desistido da vida acadêmica.
Esse negócio de ter de escolher o que fazer pelo resto da vida. Escolher a melhor opção. Ser melhor que os outros. Outros dez anos de vida de estudante. Dez anos até pode começar a viver direito.
Outros dez anos. Eu tinha 17. Dez anos era muita coisa. Outros dez anos de escola era muita coisa.
Decidi deixar a universidade para lá. Era fechar opções muito cedo. Iria trabalhar primeiro, independência financeira, curtir a vida, essas coisas.
As pessoas ficaram perplexas. Afinal, eu tinha a faca e o queijo na mão. E não ia usar?
Eu gosto de saber muito de muita coisa, mas detesto a idéia de concentrar numa coisa só. A melhor profissão. A melhor profissional. A melhor matéria.
Eu gosto de fazer as coisas bem, de saber as coisas a fundo. Mas não gosto dessa pressão de saber uma coisa só mais que todo mundo no mundo. Eu gosto é de variedade.
O que no final das contas me levou à universidade foi o curso com o maior número eletivas. Algo legal para fazer depois do expediente. Conhecer um pouquinho de muitas coisas.
A intenção nem era formar, era só curtir. Mas de matéria em matéria, o curso acabou, e as matérias não. Daí fui para mestrado, doutorado. Fiz sempre mais matéria que o necessário, mas a hora de escolher a especialização, o “tópico”, sempre me mata. Não existe especialização em “Um pouco de um tanto de coisa”?
Parece que não. Enquanto isso, os dez anos passaram rapidinho, e a vida de estudante continua.
Acho que os antigos acreditavam que o universo ciclicamente se expande e depois se comprime, e depois se expande, etc. Eu acho que meus interesses só se expandem. Talvez a minha molinha esteja com defeito. Outras coisas me comprimem. Para manter o equilíbrio talvez.
Mas talvez minha atitude esteja trabalhando contra mim. Teoria universal de gases diz que um gas se expande indefinidamente de forma a ocupar todo o volume em que se encontra. Coloque 1 quilo de oxigênio em um recipiente de dez litros, e ele vai ocupar os dez litros. Coloque os mesmo quilo em um recipiente de cem litros, e ele vai ocupar os cem litros todinhos. E se em vez de cem fossem mil litros, a mesma coisa.
Acho que com estudos a coisa funciona do mesmo jeito: eles tendem a ocupar todo espaço que a gente dá, e sempre parece que precisa de mais. Sempre. Nunca vai chegar num ponto que sobra uma folguinha. O que a gente tem que fazer é impor um limite, por um fim na coisa. E para isso, um pouco de pressão ajuda: maior pressão, menor volume, menor pressão, maior volume, mas nunca a pressão chega a zero. Nem o volume.
Acho que foi Einstein que disse que se a gente soubesse o que a gente estava pesquisando, não chamaria de “pesquisa”. É o que eu acho também.
Mas parece que o pessoal que banca as pesquisas nunca se contentou com essa explicação.
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