Arquivo para Uncategorized

Músicos Intinerantes: Tragicomédias ambulantes

Uns dois anos atrás eu escrevi uma história, ou melhor, uma saga autobiográfica em 8 episódios, sobre minha viagem de Toronto a Brasília com Arquimedes, meu querido violão.

O vídeo seguinte do canadense  David Carroll mostra que não sou só eu que sofro com esse tipo de coisa!

Contatos de primeiro grau

A capacidade do Lula de criar vínculos sem deixar se intimidar por qualquer tipo de barreira é fenomenal. Olha só esse vídeo de 49 segundos dele com o Obama e o primeiro-ministro australiano, onde ele domina a conversa sem falar uma palavra de inglês:

http://www.bbc.co.uk/worldservice/emp/pop.shtml?l=pt&t=video&p=/portuguese/meta/dps/2009/04/emp/090402_g20obamalula.emp.xml

Brincadeiras e más traduções a parte, é impressionante como o Lula tem a manha de deixar todo mundo à vontade. Eu queria ser assim!

Gata escaldada…

Então acabou que o presságio foi só neura? Que bom, né? Posso dizer com isso tudo que Monteiro Lobato foi para mim fonte de não só sonhos como pesadelos. Influência, hein? E eu com minha imaginação fértil então… altamente influenciável.

Mas acho que o que eu queria dizer ontem era: cantar vitória é bom? Muito bom. Mas cantar vitória antes da hora não é tão bom assim. Úbris (prima grega do nosso “jogar de salto alto”) é craque em dar tombos feios.

Ontem não foi o caso? Demos graças a Deus então. Mas como boa mineira, eu sou da opinião que cautela, humildade e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Quanto mais alto o coqueiro, maior a queda. Seguro morreu de velho. Gata escaldada não conta com os ovos dentro da galinha: só vale quando eles estão no próprio bucho. A experiência é mãe da sabedoria e dos traumas.

Modéstia a parte, eu tenho uma memória ótima para recitar sabedoria popular. Quisera eu, porém, que tal sabedoria me ficasse na cabeça.

Assinado,

Gata Escaldada em pessoa

Presságios

Pessimismo é um sentimento que pouco conheço. Intuição, por outro lado, é amiga minha muito íntima, pela qual tenho muito respeito e admiração. E por algum motivo, seja lá qual for, eu estou com um mal presságio.

Nessas últimas semanas, não paro de pensar na campanha do Al Gore em 2000 (e na do Harper aqui no Canadá no mês passado, e nas do Roriz em Brasília de perder conta). Às vezes não é presságio, é só trauma de ver tantas vezes seu candidato perder uma eleição que parecia ganha (Lula 2002-2006 sendo a exceção que confirma a regra).

O que quero dizer é: meu coração está pesado nesse momento. É uma sensação muito estranha essa de querer estar errada. Se você é uma das poucas pessoas no planeta que têm a capacidade de me provar errada, faça-o: vote. Se você, que nem eu, não pode fazer nada nesse momento, lembre-se que “quem sabe faz a hora, não espera acontecer.” Reze. Torça. Converse com amigos. E com não amigos também. Trocar idéias é a essência da democracia. Mesmo quando a gente não faz parte, é importante participar. E principalmente quando a gente não faz parte, mas a parte afeta o todo: aí que é importante participar mesmo.

Ai, que suspense! Deixa eu voltar para minha tese, que é menos estresse. Talvez ela me distraia. Talvez ela me acalme.   

E quem diria que o conceito ”tese” tivesse a capacidade de evocar a palavra “refúgio” na cabeça de um ser humano (ainda mais na minha…)? É quase como se eu estivesse entre a cruz e a espada…

———-

(para um post estérico relacionado, vide:

http://blogdaester.wordpress.com/2008/02/13/admiravel-mundo-novo-ii/ )

Deja vu visto de uma nova maneira

De volta a Toronto. De novo. Morando no mesmo de um ano atrás. Mesmo emprego também. Tese? Um pouco diferente, mas às vezes dando a impressão de estar no mesmo lugar. “Você aqui de novo?” “Mas você não estava ia voltar para o Brasil?” “Mudou de idéia?” Sim, sim, e não. O plano era esse mesmo. Só não sei se era um bom plano. 

Eu planejo demais, e analiso o passado demais também. O que quer dizer que sobra pouco tempo para curtir o presente. Resolução de verão: viver o presente, para variar um pouco. Aceitar o presente, ao invés de estar sempre com pressa, querendo mudar de fase. Nisso eu estou copiando um pouco uma amiga que resolveu de agora em diante ser mais espontânea. Espontaneidade planejada. Paradoxo? Vai assim mesmo. 

Nos meus oito anos na América do Norte, eu nunca senti muita saudade do Brasil, exceto talvez no último inverno, em que eu estava contando os dias para voltar para casa. Então de volta lá fui eu. Agora que eu passei os últimos meses lá, não me levou uma semana em Toronto para eu bater o recorde de saudade sentida.  Interessante. Mas é aqui que o tal viver no presente ajuda.

Eu encontrei meu chefe ontem pela primeira vez desde que voltei. Ele me fala, do nada: ”Ester, não sei se você está feliz de estar de volta, mas a gente com certeza está muito feliz de você estar de volta!” E eu nem estava reclamando da vida nem nada. Ele falou isso assim, sem mais nem menos. ”Pelo menos alguém está contente nessa história,” foi o primeiro pensamento que me passou pela cabeça.  Mas nesse momento de repente eu percebi que as pessoas em geral parecem estar alegres de me ver de volta. Nada assim “oh, não posso me conter de alegria.” Mas contentes, de qualquer forma.

Até o dono de um restaurante que eu costumo freqüentar me falou que sentiu minha falta ultimamente. Se donos de restaurantes sentem sua falta, isso é um sinal que você não é 100% invisível. Talvez um pouco excêntrica, mas invisível não. E se seu chefe diz que está contente de te ter você de volta, isso é indício de que você não é 100% inútil. Um pouco mais para lá do que pra cá talvez, mas ainda assim, capaz de fazer alguma coisa. E isso me fez bem. Minha tese raramente é gentil desse tanto.

Ontem eu recebi um email rejeitando um artigo meu para publicação. O surreal da história foi que os comentários do editor eram quase idênticos aos que os membros da minha banca tinham feito sobre o mesmo trabalho. Foi tipo um deja vu, só que com um efeito surpreendentemente reconfortante. “Reconfortante” aqui é usado da mesma maneira que uma segunda opinião médica confirmando um diagnóstico desfavorável pode ser classificado como “reconfortante.”  Mas pelo menos é algum tipo de definição, o que é bom.

Ainda no tema  deja vu, hoje foi minha primeira aula de Tai Chi, de novo. Mesmo instrutor do ano passado, mesma aula também. Sua didática não é a melhor que eu já vi nem de longe, e ficar de pé de braços abertos feito espantalho ainda faz três minutos parecerem três horas, que nem no ano passado.  Mas pelo menos me ajuda a evitar a tendinite. E pensar que nessa época ano passado eu nem sabia o que era tendinite. O que é indício de que mudaram as estações e pelo menos alguma coisa mudou. Legal. Acho que por hora chega de ficar comparando.  Carpe diem. Agarre o dia de hoje. Contanto que a tendinite se mantenha afastada, o dia será agarrado. 

E agora, de volta às tarefas.  Respira fundo e carpe diem nelas.