Arquivo para Plantas

Primavera em Brasília

Como alguns de vocês sabem, estou passando essa primavera em Brasília. E como este fim de semana marca oficialmente o início da primavera, eis aqui um relatório oficial da minha nova rotina diária.

Primeiro, acordo e olho pela janela:

Tomo um café esperto
 e parto para a biblioteca da universidade: 

Estaciono e, andando,
penso nos meus compromissos do dia:

Chego à biblioteca e trabalho a manhã toda:

Hora do almoço, volto para casa:

À tarde, vou para a biblioteca da paróquia:

É fim de dia e de inverno na capital federal.

Verdes: planta e sentimento

Há não muito tempo eu postei uma história - poderíamos até dizer uma confissão – contando minhas aventuras com uma planta que uma colega me pediu para tomar conta na sua ausência. A todos que expressaram preocupação, é meu prazer informar que a plantinha vai bem, obrigada. Aliás, super bem: ao chegar ao trabalho hoje, para minha grande surpresa, eu descobri que a plantinha tinha produzido dúzias de folhinhas no final de semana! Eu nunca tinha visto mais de três ou quatro de uma vez.

Vamos aos fatos:

Fato número 1: Eu rego “minha” plantinha toda segunda-feira, esvaziando metade de uma garrafa plástica de 250ml. Até segunda-feira passada, o conteúdo da garrafa consistia puramente em 100% água da torneira.

Fato número 2: Quando a planta estava à beira da morte, alguns amigos me recomendaram experimentar colocar um pouco de fertilizante. Mas como eu não sabia onde comprar tal produto, e no que eu pensava, a planta parou de morrer, tal compra meio que perdeu a urgência.

Fato número 3: Até que na sexta sem ser essa passada a outra, uma floricultura apareceu no meu caminho. Resolvi perguntar se tinha alguma coisa genérica e, o mais importante, fácil de usar (a idéia de manusear adubo não me apetecia muito). Depois de me perguntar um tanto de pergunta sobre a plantinha (as perguntas mais difíceis!) , o cara me apresentou um vidrinho, cujo rótulo dizia:

“Liquid Plant Food”

7 gotas por litro de água

Toda vez que você regar, tudo vai crescer!

Agora com aplicador prático!

Justamente o que preciso, pensei comigo. E apesar de todo meu ceticismo urbano, pela reles quantia de $6,99 eu comprei 118ml deste fantástico elixir (com conta-gotas e tudo!) e fui para casa.Fato número 4: 7 dividido por 2 é igual a 3,5. A capacidade da minha garrafinha plástica, como disse, é de 250ml, ou seja, um quarto de litro. Portanto tenho que dividir 3,5 por 2 de novo para saber quantas gotas do produto devo colocar na garrafinha. Meus talentos aritméticos prontamente me deram a resposta: 1,75 gota (ou gotas) por litro.

Apesar de meus talentos lingüistícos hesitarem se o número 1,75 requer singular ou plural, minha contabilidade filosófica não titubeou em concluir que isso equivalia aproximadamente a uma gotona mais uma gotinha menor. Utilizando meu prático aplicador, lá foi pingão, seguido de pinguinho. Depois foi só tampar (detalhe importante), agitar bem, e pronto.

Fato número 5: Daí há exatamente uma semana, eu molhei meticulosamente a terra da plantinha, despejando metade da poção obtida através do processo descrito no No. 4 acima (a outra metade eu deixei para usar hoje).

Fato número 6: O resto da história o leitor atento já sabe: eu chego no escritório hoje e a plantinha está cheia de folhinhas-nenéns. Isso sem nenhum manuseio de adubo! Meu ceticismo urbano foi arrancado pela raiz.

Conclusão: Agora eu entendo porque que jardineiros e fazendeiros se orgulham tanto de suas produções: o cuidado que elas requerem acabam deixando a gente super coruja. Aliás, quer ver que gracinha os meus nenéns? Olha só:


Foto 1: A poção. Parece que estou fazendo comercial do produto, não?

Note bem o raminho lampeiro posando para a foto com suas três folhinhas recém-nascidas.

Foto 2: Zoom no raminho lampeiro. Está vendo as três folhinhas que lindas?

Foto 3: Close numa das folhinhas. Um charme, não?

(Nota: nenhuma folhina foi mal-tratada ou sufocada na produção desta foto.)


Foto 4: E todo ramo tem suas folhinhas caçulas! Ester está toda orgulhosa!

"Troco um cheque, mudo uma planta de lugar"

Entre as transações bancárias da semana, incluindo uma misteriosa discrepância de $15 em meu favor, uma preocupação inédita: parece que assassinei uma planta. Por negligência. Negligência não, porque preocupar eu preocupei muito. Mas nem só de preocupações vivem as plantas. Vamos aos fatos.

Fato número 1: Minha colega foi passar os próximos meses em Montreal, e deixou em meus cuidados vários items interessantes, incluindo um sofá, uma cadeira, uma máquina de café expresso e uma planta.

Fato número 2: A única planta que tive na minha vida foi um cacto que ganhei quando fiz 15 anos. O cacto morreu após alguns meses. De desidratação.

Fato número 3: Eu falei para minha colega que eu não era boa com plantas. Ela disse que era muito fácil, que eu só tinha que regar a planta uma vez por semana. Isso eu fiz. Mas a planta começou a morrer assim mesmo.

Fato número 4: Plantas são seres autótrofos. O que quer dizer que elas produzem seu próprio alimento, ao contrário de seres heterótrofos, que têm de buscar sua fonte de nutrição ingerindo outros seres vivos.

Fato número 5: A colega veio visitar final de semana passado. A máquina de expresso estava bem tratada, o sofá também, mas a planta nem tanto. Ela atribuiu ao fato de eu ter colocado a plantinha num cantinho fora do alcance de tropeções. O cantinho também era fora do alcance de luz solar, algo que eu não tinha notado antes.

Fato número 6: As plantas são autótrofas, o que não quer dizer que elas geram energia ex nihilo. Elas produzem o açúcar que necessitam através da fotossíntese. Pode-se dizer então que a comida das plantas é luz. Eu esqueci de alimentar minha planta.

Fato número 7. Nos dias que se seguiram, eu me tornei bastante atenta a luminosidade de vários lugares. Coloquei a planta perto da janela. Descobri que o sol só bate lá entre 6 e 8 da manhã. Coloquei uma lâmpada de 60watts para brilhar em cima da planta. Levei a planta para passear lá fora e pegar um solzinho. Pedi conselhos a amigos. Podei a plantinha. Levei para o escritório, onde o sol bate mais forte.

Fato número 8. Agora quase uma semana de intensos cuidados depois, a planta parece estar ressucitando, ou assim espero.

Morais da história:

1) Plantas são seres difíceis de se alimentar. Porque, como diz meu irmão citando um cantor famoso (Cartola?), plantas não choram, elas só exalam. E euxalês é um idioma que eu não domino.

2) Preocupação só não basta; saber o que fazer ajuda.