Arquivo para Metablog
Poema do recomeço
31 Março, 2008 às 12:48 am · Arquivado em Metablog
“I want to tell you
(Quero te dizer)
My head is filled with things to say,
(Minha cabeça está cheia de coisas para falar)
But when you´re near,
(Mas quando você está por perto)
All those words they seem to slip away…”
(Todas aquelas palavras parecem desaparecer…)
– George Harrison
Não lembro quem foi que disse
Se foi um filósofo famoso
ou se foi meu irmão caçula,
Que bloggar é que nem fazer exercício físico:
Quanto mais tempo parado, mais difícil de voltar
Mas na hora que volta,
a gente se sente tão bem
Que a gente se pergunta
Como pôde ser tão besta de ter parado
Ou de não ter voltado antes
E promete que a partir de hoje
As coisas serão diferentes
Exercício regular
Faça chuva ou faça sol
Vamos ver
O fato é
Que eu tenho tanto para dizer
Dessas semanas e semanas
Que nem sei por onde começar
Quem sabe amanhã?
Quem sabe amanha?
Fase Nova, Blog Novo
22 Setembro, 2007 às 4:52 pm · Arquivado em Metablog
Pessoas,
Para marcar um nova fase da minha vida escolar, decidi hoje criar um novo blog. Ou dois. Os nomes são mais auto-explicativos do que os descolados interplexa e internexa:
- blogdaester.wordpress.com é o novo blog em português. Todos os arquivos do interplexa foram passados para lá
- estersblog.wordpress.com por sua vez é o novo blog inglês, armazenando todos os antigos posts da história do internexa.
Fácil, não? Eu achei super-fácil.
“Mas, Ester, por que você resolveu mudar de blog, se o seu já era tão legal?”
Seguinte: por mais que o interplexa fosse muito legal, e eu tenha aprendido muito com o blogspot, na hora de colocar um tanto de fotografia as coisas ficavam complicadas. Minha amiga Alexandra, que gosta muito de postar suas fotos e vídeos, há muito havia me indicado o wordpress. Ela tinha me dito que era mais fácil de usar, mas eu não tinha idéia que era assim tão mais fácil. Até hoje.
Não vou falar mal do blogspot porque devo muito a ele. Mas eu tinha planejado para hoje um post cheio de foto de novo (Com o sugestivo título de “Umidade 11%). Todavia, só de pensar na trabalheira do último post, me bateu um desânimo… Resolvi então dar uma olhada no wordpress. Gamei.
Então é isso. Vejo vocês por lá.
Beijos e queijos,
Ester
*****
Blogversário Estérico
3 Julho, 2007 às 7:34 pm · Arquivado em Metablog
Hoje faz um ano. Um ano todinho. Foi num dia que nem esse que tudo começou. Só que eu estava no Brasil, e não no Canadá. E era inverninho, e não verãozão. É, agora que eu estou pensando direito, não foi um dia muito que nem hoje não. Mas que foi 3 de julho, isso foi.
Desde de então, foram 47 posts em português e 40 em inglês. O lado interplexa do blog foi honrado com 4.153 visitas, principalmente de Brasília e outras partes do Brasil, mas também de várias partes da América do Norte e do resto do mundo. Internexa, a versão do blog em inglês, recebeu no mesmo período cerca de duas mil visitas do mundo todo, do Canadá principalmente.
Para celebrar um ano de posts Estéricos (e porque hoje eu estou ocupada demais para escrever direito, mas queria escrever nem que fosse só pra constar), eis aqui três destaques do ano:
1) Mutatis Mutandi, de 11 de julho de 2006:
http://interplexa.blogspot.com/2006/07/mutatis-mutandi.html
2)Minha Terra é a Terra que é Minha, de 5 de janeiro de 2006:
http://interplexa.blogspot.com/2007/01/minha-terra-terra-que-minha.html
3) Boca de Forno, Forno, 29 de maio 2007:
http://internexa.blogspot.com/2007/05/bachelor-life.htm
O critério de seleção foi antes de tudo cronológico: minha veia de mãe coruja não me permite muito julgar a qualidade dos textos: são todos igualmente estéricos, cada um do seu jeito…
Mas você, caro leitor, que não é tão coruja, se tiver seu post estérico favorito para incluir no Vale a Pena Ver de Novo, mande seu voto.
No mais, tenha um blogversário bem Estérico, e volte sempre!
Mutatis Mutandi
11 Julho, 2006 às 5:26 pm · Arquivado em Autobiografia, Brasil, Metablog, Música
Tudo começou no dia que eu cheguei do Canadá em Brasília, quando o Francisco me chamou para ir na defesa da monografia da Naty no dia seguinte.
Então eu fui. Foi super legal. Era sobre Chico Buarque. Depois da defesa, saímos um grupo super legal, com uma discussão massa. Cérebro a mil.
Me toquei então que apesar de ter escutado muito Caetano e Raul desde a infância, Chico Buarque era um desses grandes artistas que eu conhecia por osmose, mas não conhecia muito bem.
Resolvi então tirar o atraso. Cheguei em casa, e fui escavando e colocando para tocar tudo que achava do Chico (do Chico Buarque nas coisas do Chico meu irmão). Como é tudo muito conhecido, não foi assim, “ó, que música diferente”. Mas teve aquela surpresa de reparar pela primeira vez algo que você já ouviu milhões de vezes mas nunca se deu conta. Aquela coisa do “cara, surpreendente, né? Mas ao mesmo tempo previsível…”
As primeiras risadas vieram em ouvir “Façamos“. Não foi só por que a letra é muito engraçada, mas porque é uma versão muito bem bolada de “Let´s do it (Let´s Fall in Love)“, de Cole Porter, que é sempre a música de aquecimento da minha aula de dança. Risadas comparáveis às que vieram com a “Ópera do Malandro“, uma versão tão fantástica de “Mack the Knife“, que nem parece versão de tão bem feita.
Mas o que me fez pensar “Caramba, tenho que fazer um blog sobre isso!” foi “Mulheres de Atenas”. Essa música tem tão tudo a ver com que estou estudando, que é de cair para trás. Só que quando saiu o blog, eu tinha que resumir antes o que estou estudando (Page du Bois, J.R. Martin, etc), então o blog só foi aumentando. E assim chegamos aqui.
Vocês entendem mais de Chico do que eu, então não vou reinventar a roda aqui com análises delongadas de uma música muito bem sacada (se quiserem uma, vide http://www.mundocultural.com.br/analise/Mulheres_de_Atenas.PDF). Mas acho que se a Page du Bois ou a Jane Roland Martin ouvissem (e entendessem) essa música, elas iam delirar.
Fora a rima e o ritmo que são simplesmente de outro mundo de geniais, o embasamento clássico e o paralelo com a realidade atual é coisa absolutamente fora de série. O que eu acho fabuloso no Chico é a manha que o cara tem de adaptar obras de artes feitas em lugares, épocas e realidades tão diferentes e recompor com tanta graça que parece que é coisa dessa realidade nossa aqui e agora. É assim com a “Opera do Malandro” e com “Façamos”. É assim também com “Mulheres de Atenas.”
Desde a primeira linha (“Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas”) vemos, de forma irônica mas muito bem enquadrada, a idealização de costumes dos antigos que é objeto de ataque de estudos tipo o de du Bois. A descrição do ideal de mulher “sem gosto, vontade, sem nem defeito nem qualidade” ficou tão perfeita, que muita gente achou que o Chico estava falando sério.
Pode parecer erro absurdo para alguns, causado ou por histeria e hipersensibilidade femininas, ou ignorância e machismo masculinos, de achar que o Chico queria que a música fosse interpretada ao pé da letra. Mas dado o tanto de material teórico “sério” com esse tipo de retórica, além do tanto que este modelo de submissão ainda se repete em prática, tal erro é totalmente compreensível.
O que não quer dizer que podemos deixá-lo passar batido, só sacudir os ombros admirados da ignorância das pessoas. O erro é grosseiro, é sim. Mas é um erro que só prova o quanto a sociedade contemporânea ainda é grosseira. O simples cogitar que “Mulheres de Atenas” seja um ideal de verdade prova que, neste aspecto, não estamos muito a frente dos gregos de mais de três mil anos atrás em termos de igualdade. Isso é triste. Também triste é não reconhecer esse fato, e achar que já alcançamos esta igualdade, como se pensamento positivo puro e simples bastasse.
É isso que eu acho legal nos trabalhos que apresentei aqui, como o de Martin, du Bois, Reagan, Monteiro Lobato, e outros que vão aparecer ainda, como Paulo Freire, bell hooks, Nísia Floresta e Cecília Prada. E é justamente nessas horas que eu queria ter a manha do Chico de traduzir obras de uma realidade para outra e fazer a versão mais original até que o original. Mas enquanto o gênio não vem, deixo-os com o originalíssimo Chico.
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
CadenasMirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem por seus maridos, poder e força de Atenas
Quando eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obscenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas
Morenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro se encolhem
Se confortam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas.
Referências, alusões e recomendações:
- “A Odisséia”, de Homero
- “Mulheres de Atenas”, de Chico Buarque
- “Let´s Do It (Let´s Fall in Love)”, de Cole Porter (e também o “Façamos (Vamos Amar)”, do Chico)
- “Mack the Knife”, de Bob Darin (e também a “Opera do Malandro”, do Chico)
- http://www.mundocultural.com.br/analise/Mulheres_de_Atenas.PDF
Agora
3 Julho, 2006 às 4:56 pm · Arquivado em Autobiografia, Filosofia, Grécia, Livros, Lobato, Metablog
Desde criança sempre fui fascinada pelas culturas (língua, literatura, filosofia, etc) clássicas. Doidinha com o Sítio do Picapau Amarelo, e turma da Mônica, aos 9 anos conseguia descrever (em ordem e com detalhes) os Doze Trabalhos de Hércules, as deusas e deuses gregos, suas atribuições, personalidades e suas versões latinas. Falava de Aspásia e Péricles, Fídias e Sócrates como se fossem personagens infantis como Narizinho e Pedrinho, Mônica e Cebolinha, a Bela e a Fera, Mickey e Minnie.
“Mas que que isso tem a ver?”
Tem a ver que a paixão com as culturas clássicas que desenvolvi na infância tornaram-se tão arraigadas que, ao invés da carreira médica para qual me preparava, optei na universidade estudar letras clássicas e filosofia. Meu gosto por línguas, vivas e mortas, inspiradas pela “Gramática da Emília”, levou-me a Montreal, no Canadá, onde a salada lingüística fora e dentro da sala de aula parecia um parque temático Torre de Babel.
“O que estudos no Canadá tem a ver com a vida no Brasil, e vice-versa, e versa-vice?”
Durante meus estudos universitários no Canadá, muitas vezes escuto, tanto no Canadá quanto no Brasil, tanto na sala de aula quanto fora dela perguntas do tipo:
- “O que vocês está fazendo no Canadá estudando Latim?”
- “Qual a relevância disso para realidade atual?”
- “Sua formação no Brasil tem alguma coisa a ver a vida no Canadá?”
- “Mas eu achava que você era tão inteligente, como assim você ainda está na escola?”
- “Mas eu achava você tão inteligente, como assim você gosta de fazer alguma coisa além de estudar?”
Na minha cabeça não via contradição nenhuma em nenhum desses pontos. Mas pensei que o problema fosse comigo, já tinha pelas pessoas em cada uma dessas esferas profunda admiração. Como todas essa áreas sempre foram partes integrais da minha vida, e me recusava abrir mão de qualquer uma delas, para não ficar muito destoante, fui aos poucos compartimentalizando minha vida. Na parte teórica evitava fazer menção a prática. Na parte prática evitava qualquer blá blá blá teórico. Na vida do Canadá quase não traía minha origem brasileira. Nas férias no Brasil evitava tirar muita onda da vida no Canadá.
Mas como nunca dar para ser completamente neutra, fui ficando cada vez mais calada. Já que não é possível ser 100% só isso sem resquício daquilo, fui ficando apagada. De tanto não querer aparecer, fui ficando quase invisível. E a invisibilidade não é uma sensação legal, porque não é só os outros que esquecem de você, mas até você mesmo se esquece quem você é. Auto-invisibilidade.
Internexa e Interplexa
Perplexa, tive então uma conversa comigo mesma. Perguntei a mim: “Eu, quem é você?” E o único jeito que Eu soube responder a essa pergunta foi listar as coisas que me empolgam, listar as pessoas que fazem parte da minha vida. O Eu surgiu na interseção e interação de todas essas coisas e pessoas.
Esse blog então é isso: um ponto de contato entre coisas e pessoas, idéias e experiências, países e línguas, escritores e leitores, elementos todos aparentemente sem nexo algum, mas que fazem todos partes do eu estérico. É uma combinação de confissões agostinianas, meditações cartesianas, memórias da Emília (com a mesma modéstia destes três), querido diário, diálogo platônico, ágora socrática, fórum internético, álbum de figurinhas e outras quimeras estéricas. Tudo sem ordem nem método, mas tudo interconnectado.
Fiquem ligados! A Ágora é agora!
P.S. A idéia foi fazer esse blog simultâneamente em português e inglês, para rolar um bate-papo entre meu círculo brasileiro e meu círculo canadense. Mas não deu muito certo por os dois círculos na mesma página. Criei então uma página separada para o conteúdo em inglês(separações de novo, o sistema prevalece mais uma vez!). Mas não deixemos o sistema forçar mais esta segregação: sinta-se mais do que a vontade para olhar, comentar e participar das duas páginas. O endereço da interplexa em inglês é www.internexa.blogspot.com