Arquivo para Lobato
Admirável Mundo Novo II
A literatura infantil de Monteiro Lobato sempre me fascinou tanto que ano passado nessa época eu estava pensando seriamente em lhe dedicar uma boa porção da minha tese de doutorado, se não a tese toda. Mas daí me veio a brilhante idéia de que, para fazer isso, seria aconselhável ler também os livros que Lobato escreveu para adultos. Foi o que fiz, e uma prova disso é que todos os meus posts de fevereiro e março de 2007 foram dedicados a esse assunto.
O último post dessa série descreve a sensação provocada pelo livro que me fez abandonar por completo o projeto de tese sobre Lobato. A gota d´água tem por título “O Choque das Raças, ou, O Presidente Negro: romance americano do ano 2228.” Este livro foi escrito em 1926, e descreve uma campanha presidencial nos Estados Unidos num futuro muito distante na qual, pela primeira vez, os dois candidatos principais são um homem negro e uma mulher branca.
Lobato tinha mudado do Brasil para Nova Iorque em 1922 e ficou surpreso com o racismo aberto que ele encontrou lá (não que não existisse racismo no Brasil, mas ele não era tão aberto). A campanha feminista para sufrágio universal também o impressionou bastante (no Brasil, mulheres só tiveram direito de voto em 1932). A combinação desses dois fatores deu origem ao “O Presidente Negro,” um livro contendo tanto racismo e sexismo de dar até náusea.
No post do ano passado, eu disse que um dos motivos pelos quais Monteiro Lobato me impressiona é sua franqueza: ele sempre escrevia o que pensava, não estava nem aí quanto a chocar ou ofender. Essa característica teve o duplo efeito de gerar algumas das coisas mais geniais que eu já li (como ”O Sítio”), e algumas das coisas mais ofensivas que já li (como “O Presidente Negro”).
Mas outra coisa que me impressiona é o jeito com que Lobato consegue prever umas situações que só se materializarão décadas depois (petróleo no Brasil, por exemplo). No caso da disputa raça vs. gênero no contexto da disputa presidencial americana, com todos os exageros absurdos de Lobato, as coincidências entre 2228 e 2008 são por vezes assustadoras. Sorte nossa que a realidade não é tão terrível quanto a ficção. Pelo menos assim espero.
De buk is on de teibol
Mais um post sobre o Lobato, prometo que o último, pelo menos por alguns meses.
O Monteiro Lobato lia bastante a literatura inglesa, e até traduziu vários livros do inglês para o português. Mas naquele tempo não havia fitas ou CD´s para aprimorar o “listening”, e filmes americanos não eram tão difundidos como hoje. O que quer dizer que apesar de Lobato saber “ler” inglês bem, umas aulinhas de conversation antes da viagem dele para Nova Iorque teriam sido uma ótima pedida, como mostra o trechinho abaixo:
New York, 5, 9, 1927,
Rangel,
O americano troca o “t” por “r”, de modo que até um inglês de Londres se atrapalha em New York. Há dias pedi “water” num restaurante. O “waiter” – isso que aí vocês chamam de garçon – olhou-me com cara d´asno. Repeti: “A glass or water, please!” Ele ainda ficou no ar uns instantes. Depois seu rosto iluminou-se (era um garçon inteligentíssimo) e disse: “Warer?” (uórar), e trouxe-me a água. “Tomato” é “tomeiro” – e eu sou “Mr. Lobeiro.” Filha é “dórar” e “What of it?” é “Órovet?”. Fui comprar uma fita de máquina. “Standard ou pôrabal?” perguntou o homem. Espertissimamente adivinhei que “pôrabal” queria dizer “portable” – máquina portátil.
Se gostas de ler inglês, poderei mandar-te um milhão de coisas – sobretudo jornais e revistas.
So long, old chap!
Lobato
Admirável Mundo Novo
Eu terminei de ler A Barca de Gleyre, volume de correspondência de Monteiro Lobato com Godofredo Rangel. E a impressão final foi uma que já tive com outro artistas cujo trabalho admiro: a impressão de que eu nunca me daria bem com a pessoa se a conhecesse, apesar de admirar tanto seu trabalho. Impressão que foi confirmada com a lida de O Presidente Negro ou O Choque das Raças, romance futuristico à la “Admirável Mundo Novo” que Lobato escreveu em 1927.
Engraçado isso de querer que as pessoas cujo trabalho você admira sejam do jeito que você acha que as pessoas que desenvolvem tal trabalho devem ser. E difícil dizer se o melhor é deixar a fantasia intacta, ou desmascará-la de vez. A idealista em mim ainda acredita que o melhor é saber a verdade, doa a quem doer. Mas a minha criança interior gostaria que a verdade fosse do jeito que ela imaginava. Como dizia o Rob em “Alta Fidelidade”, que dizia para a ex-namorada algo do tipo: “Eu quero que você diga o que eu quero ouvir, e que seja a verdade”.
O que eu admiro no Monteiro Lobato porém, e que continuo a admirar, é que ele tinha obsessão por ser ele mesmo. Autenticidade era o que ele mais buscava. E isso é que faz dele uma figura tão original e tão forte. Mas é claro, que autenticidade não é um dedo de Midas, que faz tudo em que toca virar ouro. O que é pior: um autêntico cafajeste, ou um cafajeste dissimulado? Melhor seria que não fosse cafajeste, certo?
Eu gosto do jeito que Lobato fala o que pensa: que é o que torna o Sítio do Picapau Amarelo tão único na literatura infantil. Mas às vezes ele pensa umas coisas que me assusta, principalmente em relação a negros, pobres, mulheres e deficientes… E não sei se me assusta mais quando aparece de maneira absurdamente explícita como em O Presidente Negro, ou de forma mais velada como no Sítio… Melhor seria que não assustasse? Não sei dizer.
Lobato e Futebol
Essa semana eu comecei a ler “A Barca de Gleyre”, um volume com as cartas que Monteiro Lobato enviou ao seu amigo Godofredo Rangel ao longo de quarenta anos. Esse calhamaço, cuja leitura adiei por meses, desgostosa da grossura do livro e da camada de poeira sobre a cópia que tirei da biblioteca, é aliás divertidíssimo, ainda mais para aqueles que se interessam pelas “várias faces de Lobato”.
O trechinho abaixo, escrito por Lobato quando era ainda um estudante de 22 anos, é um exemplo do que tenho descoberto da vida deste divertido autor. Dedico este post a um outro escritor de 22 anos que conheço, que também conhece as emoções e sofrimentos de fazenda e futebol nas horas em que não está escrevendo.
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S. Paulo, 11, 7, 1904,
Rangel:
Quanta atribulação, meu caro! Tua última chegou no momento em que eu partia para Taubaté, na folga do mês de greve que nos deu esta nossa inefável academia. Fui com planos de responder de lá – mas sobrevieram atribulações. Andei léguas a cavalo, lá pelos sertões do Buquira, e cheguei até às raias de Minas. Voltei para Taubaté derreado, bambo. (…) E cá estou em S. Paulo – mas ainda atribulado. Mudei-me para um quarto de frente na rua Araújo 26, com um lampeão de rua bem junto à minha janela. Tenho luz de graça. E defronte há uma vizinha janeleira que já piscou. Em vez de namorá-la, meti-me pelo futebol – Palmeiras. Joguei vários dias seguidos e fiquei mais derreado que com as léguas do sertão. Estou cheio de pisaduras e dodóis.
Isto deve ser o que na Vida Intensa o Th. Roosevelt quer. O futebol empolgou-me de alma e corpo; escrevo crônicas e jógo. Diz o Tito que é mania – e diz-lhe o Raul: “Jaques, tu es un âne.”* Seja como for, asseguro-te que o futebol apaixona e contunde. (…)
Bom, a cama está a chamar este corpo contuso. Adeus.
LOBATO
* “Jacques, você é uma besta”, frase do livro Petit Chose, de Alphonse Daudet (Nota Estérica)
As muitas faces de Lobato
Estando numa universidade no Canadá, é bem difícil responder rapidamente a pergunta “Quem é esse tal Monteiro Lobato de quem você tanto fala?”
É difícil explicar a magnitude da obra, sua originalidade, e o impacto dele na literatura brasileira. Mais difícil ainda é explicar o que faz dele tão único na literatura infantil mundial. Quando a conversa entra no tópico “ideologia”, as pessoas ficam tontinhas:
- Lobato admirava Marx e também Ford?
- Era liberal e também conservador?
- Idealista e também cético?
- Eurocêntrico e também anti-eurocentrismo?
- Racista e também anti-racismo?
- Machista e também feminista?
- Democrático e também individualista?
E a resposta minha é sempre “sim para todas”, o que faz as pessoas acharem que eu não sei o que estou falando, e me aconselhem estudar mais, escolher um, e aprender como marcar meus X. Mas é o “sim para todas” que faz do Lobato uma figura tão interessante.
Hoje por acaso esbarrei numa descrição dramática (cômica, se não fosse tão trágica, e vice-versa) das muitas faces de Lobato. O testemunho, de Ênio Silveira, é parte de uma entrevista publicada na coleção “Editando o Editor”, publicada pela Edusp. Uma ótima pedida para quem se interessa na história editorial brasileira (e conseqüentemente, na figura de Monteiro Lobato. E vice-versa).
O Funeral de Monteiro Lobato
Eu era amigo do Lobato, portanto, vocês hão de compreender que, por mais do que profundas e dolorosas razões, compareci ao enterro e fiquei o tempo todo grudado ao caixão do Monteiro Lobato. Foi, para dar uma pálida idéia, um enterro comparável ao do cantor Francisco Alves, multidões, multidões. Calculo que havia umas duzentas mil pessoas da cidade de São Paulo. São Paulo parou. A morte de Lobato – não é Getúlio Vargas não, é um escritor que morreu – parou a cidade de São Paulo, o centro da cidade, as lojas espontaneamente fecharam as portas. Aquela massa compacta subindo a Consolação – vinda do centro da cidade, no cemitério, esperando o enterro. Estive onde foi velado o corpo, em Campos Elíseos, depois fui para o cemitério esperar. Pois chegou aquela multidão, fervendo, compacta, sólida, e então fiquei ao lado do túmulo vendo aquela cena maravilhosa. O Lobato era, entre outras coisas fascinantes, acusado de comunista; ele não era propriamente comunista, mas simpatizava com o partido. Ele foi muito atacado pela Igreja, o Lobato foi muito acusado. Não era membro do partido, mas era muito amigo de comunistas e sempre esteve ao lado do partido nos momentos mais difíceis. Mas, ao mesmo tempo, ele era espírita e comparecia às Sociedades Espíritas – ia para a Europa em espírito -, acreditava no Além, kardecista, não sei o quê, mas espírita. Era, ao mesmo tempo, barão rural, da aristocracia rural, ele era visconde, se houvesse o Império ele ainda seria visconde. Também era membro de uma Sociedade Agrícola de São Paulo, do Clube Piratininga e de outras coisas que reuniam a aristocracia rural paulista. Era também bom escritor, portanto tinha a sua grei de escritor-jornalista. Ali, “namorava” também alguns trotskistas, que por isso o julgavam trotskista.
Bom, então, esta fauna diversa, multifacetada, se reuniu ali, à beira do túmulo. Quando iam descer o corpo, um pouco antes, pediu a palavra arrebatadamente o Rossini Camargo Guarnieri, poeta, membro do Partido Comunista:
- Camarada Lobato – era ditadura, o partido era ilegal -, estamos aqui, teus irmãos, não apenas para chorar por ti, mas para dizer que jamais morrerás, que estarás vivo na consciência do povo, no coração do povo, como um batalhador, como um companheiro…
- Perdão, companheiro não! Lobato era trotskista – era o professor Phebus Gikovate. – Canalha, filho da puta …
Principiaram aí cenas de pugilato, soco, caíram os dois, e rolaram no chão, o Gikovate e o Camargo Guarnieri caíram na cova aberta. Uma cena de filme de Felini. Quando tiraram os dois, um sujeito Clube Piratininga disse assim:
- Não, o senhor Lobato era da fina aristocracia, se tivéssemos ainda o Império, ele seria um nobre, nobre por dentro e nobre por fora. Lobato…
Era uma gritaria. D. Purezinha, viúva do Lobato, chorava, na verdade, não sabia se chorava ou ria. Eu achando que o Lobato gostava muito dessas cenas, estava me divertindo imensamente. *
Eu me divirto também: acho que o fato de o Lobato se simpatizar com pessoas de vários “-ismos” diferentes é parte do que faz dele uma figura tão singular. O difícil é assistir a briga dos “-ismos” dos outros sem levar uns tapas…
* In Ferreira, J. P (Ed.) , Ênio Silveira, Coleção” Editando o Editor”, v. 3, Edusp, São Paulo, 1992.
O Emílio, A Emília e a Filosofia
Acho que foi Jane Roland Martin no livro “Reclaiming a Conversation: the Ideal of the Educated Woman” (mas eu não tenho acesso ao livro no momento para confirmar) que, depois de dizer como que Sofia, o modelo de mulher que Rousseau descreve, é completamente inadequada, faz um chamado para que crie-se uma nova versão feminina do Emílio, uma Emília.
Os capítulos sobre Rousseau e sobre Wollstonecraft nesse livro publicado em 1985 foram meu primeiro contato com J.R. Martin, que eu li para um curso que fiz no ano passado. Eu achei o argumento tão surpreendentemente convincente, que resolvi tirar cópia dos dois primeiros capítulos e por na minha malinha para minhas férias aqui no Brasil.
Martin estava no comecinho da minha lista de leitura, então eu já li os dois capítulos rapidinho. E fiquei arrependida de não ter trazido o livro inteiro. Difícil acreditar que esses dois capítulos eram ainda mais impressionantes que os dois que eu já tinha lido. O motivo é provavelmente o fato do primeiro capítulo tratar de filosofia em geral e o segundo de Platão, dois tópicos sobre os quais venho ruminando desde o comecinho de minha vida acadêmica. Dos capítulos que li no ano passado, por outro lado, um trata de um autor que eu conhecia só de antologias filosóficas, e o outro de uma autora de quem nunca havia ouvido nem falar antes.
Como não era de se espantar muito, muitas das fichas obtidas quando eu li os capítulos sobre Rousseau e Wollstonecraft só foram cair agora, que li os dois capítulos iniciais. Uma dessas fichas foi que, de repente, eu me toquei que eu já conhecia a tal da Emily que a Jane Martin estava pedindo. Aliás, eu sempre conheci essa Emília. Ela é tudo que a Sofia do Rousseau não é: curiosa, irreverente, atrevida, esperta, extremamente inteligente, independente, até mandona. E ela foi criada no Brasil em 1920, antes da Jane Martin nascer. Foi a Emília e o pessoal do Sítio que me apresentaram a uma boa parte da literatura mundial, incluindo a Grécia Antiga, incluindo Sócrates, minha especialidade profissional. E isso antes dos meus dez anos de idade!
O Capítulo sobre Platão me fez pensar: “isso faz tanto sentido, como é que eu nunca li Platão desta maneira?” Foi aí que eu fiz essa “regressão intelectual” toda, que deu origem a esse blog. Como eu falei na postagem anterior, antes de eu ser uma fan do Sócrates, eu era fascinada com mitologia grega, especialmente Atena, deusa guerreira, deusa da sabedoria. E foi no Sítio eu ouvi falar desse povo todo. E eu até agora pensava que Monteiro Lobato era só “literatura infantil”. De primeira qualidade, claro, mas basicamente só uma série de livros para crianças. Mas agora eu olho e arrepio de ver como que o cara estava na frente do seu tempo. O jeito que ele mistura a realidade rural brasiliera no começo do século vinte com tópicos da literatura mundial, como Cervantes, Hans Standen, irmãos Grimm, Peter Pan, Lewis Carroll, e mitologia grega, sem falar em outras “matérias”, como matemática, gramática, história, geografia e biologia, e algo que filósofos de vanguarda como Martin e Paulo Freire, uns 50 anos depois, só têm que aplaudir.
Pensando sobre tudo isso, de repente eu entendi porque que a descrição de Martin, apesar de fazer muito sentido, não refletia tanto minha experiência de aprendizado que tive especialmente na infância. No meu desenvolvimento intelectual, antes de Sócrates, já tinha a Emília (e a Mônica também, mas esta é uma outra história). A Emília tem todas as características socráticas que admiro, e muito mais.
É incrível como, apesar do sucesso no Brasil e em outros países, o Sítio ainda é muito pouco divulgado no mundo. Até hoje não existe tradução para o inglês, por exemplo (mas eu já dou um jeito nisso). Apesar de sua relevância nos campos mais atuais da filosofia da educação, os artigos profissionais acadêmicos são poucos (achei só uns 50, contra uns 800 do Paulo Freire), a maior parte em português. Um dos meus projetos atuais é justamente começar a preencher esta lacuna.
Agora, se você está duvidando do cunho profundamente filosófico e atual do sítio, eis aqui uma palhinha. Neste episódio, do livro “O Minotauro”, de 1937, a turma do sítio embarca para a Grécia antiga para resgatar tia Nastácia. A princípio, ficam hospedados na casa de Aspásia e seu marido, o governante Péricles. Esse “trechinho” é do cápítulo V, onde é a Dona Benta, e não a Emília, que está de protagonista.
Lá no pátio o grande heleno continuava de prosa com a velha. Discutiam política.
- Vencemos a aristocracia, minha senhora – dizia ele. – Hoje a Grécia é positivamente governada pelo povo. Sólon revelou gênio ao conceber a nossa forma de governo. Não há imposição dum homem. O governante é escolhido pelo povo. Eu, por exemplo, executo o que o povo deseja – e por isso me reelegem.
- O senhor é um caso excepcional – argumentou Dona Benta – diz que segue os desejos do povo, mas na realidade a sua inteligência e os seus excelentes discursos é que fazem o povo desejar isto ou aquilo. Quem realmente governa é o senhor, não o povo.
- Vejo que a senhora possui um alto descortino psicológico – disse Péricles sorrindo. – O povo tem muito das crianças. Quer ser conduzido – mas com aparências de que é ele quem de fato conduz e manda. (Comentário Estérico: se você achava que a alusão ao Emílio era mera coincidência, está aqui o tapinha de luva.) O meu sistema, entretanto, é nada querer em contrário aos interesses do povo. Sou o intérprete desses interesses – e o esclarecedor da cidade. (…)
- Noto um erro nas suas palavras quando se refere a “povo”, Senhor Péricles. Não é o povo quem governa Atenas, sim a pequena classe dos cidadãos. Povo é a população inteira, e aqui há 400 mil escravos que não têm o direito de voto. Isto é injusto e será fatal à Grécia.
Péricles muito se admirou daquele modo de ver.
- Mas eles são escravos, minha senhora! Escravo é escravo.
- Engano seu, Senhor Péricles. Pelo fato de ser escravo, um homem não deixa de ser homem; e uma sociedade que divide os homens em livres e escravos está condenada a desaparecer.
Essa idéia fez o grego sorrir.
- Acha então que pode haver uma sociedade sem escravos e senhores? Quem fará os trabalhos pesados?
- Uma sociedade justa não pode ter escravos, Senhor Péricles, e nela todos os trabalhos serão feitos por homens livres. Assim é lá no mundo moderno donde vim.”
Gente, a discussão continua, com menções a Aristóteles, Platão e princesa Isabel na mesma página, e Sócrates e Emília no próximo capítulo. Não é à toa que eu era uma criança tão esdrúxula! Mas agora eu cansei, e acho que vocês também.
Mas continuem ligados para o próximo capítulo deste estérico diário.