Arquivo para Janeiro, 2008
Para o Alto e Avante!
Dentro do esquema “sacode a poeira e desperta para a vida, menina!” fiz algumas coisas interessantes nessa semana.
1. Na segunda-feira voltei a freqüentar a missa diária, e na terça comecei uma novena, pois como diz o jagunço Riobaldo do Grande Sertões: Veredas, “reza é que sara da loucura.”* Os efeitos positivos foram sentidos de imediato.
2. Na terça à noite, resolvi ir à reunião dos vicentinos da Paróquia. Essa foi uma idéia muito esperta, porque mata vários coelhos com uma cajadada só: 1) me tira do esquema: eu-minha tese-e-mais nada; 2) a questão do meu estar ausente em fevereiro não prejudica o trabalho de hoje (como prejudicaria se eu estivesse começando um curso, por exemplo); 3) me faz lembrar de como é bom fazer algo que tem efeitos práticos imediatos e que, além disso, tem utilidade para os outros; 4) me faz lembrar de como Deus é generoso comigo.
Dizia o Raul que “o auge do meu egoísmo é querer ajudar.” E é mesmo, estou agindo em benefício próprio total. Só espero que tenha algum benefício para os outros também… E olha que essa empolgação toda foi só com a reunião: mal posso esperar sábado chegar para acordar cedinho para ir visitar as famílias que o nosso grupo assiste.
3. Na quarta, comprei uma bicicleta. Bem básica mesmo, usada, só para quebrar o galho: estava morrendo de saudades de andar de bicicleta. Já dei várias voltas legais, até o parque (só até o portão, porque o acesso é proibido), até a UnB, sempre com meu capacete cor-de-rosa à la Penelope charmosa (só tinha dessa cor, sério mesmo).
Os efeitos positivos também foram sentidos de imediato. Alguns negativos também: em particular, uma dor na região glúteo-sacro-lombar, que não lembro ter sentido nunca na vida — e olha que eu já parei e voltei a andar de bicicletas um tantão de vezes. Estou pensando seriamente em comprar um banco de gel: pois domingo está chegando, e Eixão lá vou eu!
4. Substituí o café pelo chá-verde. Só que não deu muito certo: depois da segunda xícara meu estômago começa a reclamar em alto e bom som. Ora, se eu desse conta de me contentar com uma xícara diária de líquido quente acordante, o café não me traria problema algum. Mas como a minha média diária é de quatro (com uma margem de erro de um para mais ou para menos) tive que pensar em outra estratégia: café no café e no pós-almoço; chá-verde no lanche matinal e no lanche vespertino. Vamos ver se ajuda.
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* João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, Ed. Nova Fronteira, p. 32
… Tempos de Transições (e assim sucessivamente)
Apesar das muitas mudanças e locomoções, tem algumas coisas que continuam as mesmas, e isso me chateia um pouco. Às vezes parece que essa revirada toda não passou de um grande giro de 360 graus, e daí bate o maior desânimo.
Mas como assim, Ester, o que foi que não mudou?
Bom, para ter uma idéia, o título original desse post era “Limbo Eterno,” que reflete bem esse meu sentimento de estar constantemente em transição — sobre o qual aliás eu também comentei no meu post de um ano atrás. É aquela coisa de estar em caráter temporário no lugar em que se pretende estar de vez. Exemplos:
- eu continuo lendo religiosamente os classificados de Brasília procurando emprego que por hora sei que não posso assumir — do jeitinho que eu fazia nessa época ano passado.
- a tese continua parecendo acabável a qualquer momento: e a linha de chegada parece continuar se afastando.
- a vontade de começar coisas, cursos, conhecer pessoas continua enorme: mas o prospecto da falta de continuidade (“não posso começar nada porque no mês de fevereiro vou estar fora”) vem e joga um balde de água fria.
- A dedicação exclusiva com a tese acaba sendo contra-producente, porque eu não consigo descansar, porque eu não tenho com que me entreter, porque não posso me comprometer com outro trabalho ou curso enquanto não acabar a tese, e assim temos um círculo vicioso.
Nessas horas que eu me pego reclamando de barriga cheia, eu me esforço para parar e olhar o lado positivo, para dar graças a Deus pelas coisas boas que ele me dá, e eu de boba não sei usufruir. Nesse espírito, deixei de lado o ”Limbo Eterno” que apesar de ser um título massa, cheio de impacto, é paralisante de dar medo.
Optei então pelo simpático, apesar de desajeitado, ”Transição de Tempo de Transição.” Primeiro, porque ele é um título mais para cima. Ele engloba o aspecto de “transição de tempo,” aquela coisa bem de passagem de ano, mas tem o adicional que não é só a passagem de um ano normal para outro ano normal: acabou um ano de bastante transições, e agora começou outro ano, também de bastante transições, mas transições diferentes, tipo mudar de fase. A idéia é me apegar a alguma coisa que transmita uma sensação de que as coisas estão andando para a frente, e não em círculos.
E foi só eu tomar essa decisão de despreender do passado que de repente, do nada, aconteceu uma coisa interessante: me surpreendi cantarolando, sozinha, do nada: “Não temas, segue a diante, e não olhe para trás. Segura na mão de Deus e vai.” Foi como se não fosse eu que cantasse, mas alguém pegasse minha voz emprestada para mandar uma mensagem para mim mesma. E do meio de todas minhas agonias desses dias, fui arrebatada por uma avassaladora onda de paz e de alegria. ”Nada te perturbes, nada te amedrontes, tudo, tudo passa, só Deus, só Deus não passa.”
Transições de Tempo…
Ano Novo, Vida Nova? Em termos.
Quer dizer, em muitos aspectos minha vida mudou para caramba de um ano para cá. Pode-se dizer que ela deu uma guinada. Eu olho meu primeiro post de 2007, e vejo que muita coisa mudou. Muito do que era então só especulação ou vontade agora é realidade. Por exemplo:
- Eu falava de minha decisão (na época, recém-nascida) de voltar para o Brasil.
Agora a idéia não só amadureceu, mas já deu frutos: estou eu aqui no Brasil, depois de 8 anos fora, e estou para lá de convicta que essa decisão foi corretíssima.
- Eu estranhava o inverno quente, que parecia querer que eu ficasse
Agora que eu fui embora, ele perdeu todos seus pudores, e temos no hemisfério Norte um dos invernos mais frios das últimas décadas. O que quer dizer que eu escolhi o inverno certinho para dar o fora.
- Mesmo assim, parecia que a primavera não chegaria nunca
Acabou que o inverno passado apareceu, com suas temperaturas padrões tendendo para mais frias, só que com um certo atraso. O final de janeiro, fevereiro e março de 2007 pareciam querer compensar todo frio que não tinha tido em dezembro e janeiro. Tinha dias que eu achava que o mês de maio (que seria quando eu poderia pensar em sair do Canadá) não chegaria nunca.
Enquanto quatro meses no ano passado demoraram uma eternidade, esses últimos quatro meses passaram voando. E agora já é inverno tudo de novo.
- Eu reclamava da maratona aérea de fim-de-ano
Nessa virada de Ano eu não passei nem perto de aeroporto, um fato inédito em vários anos. Aliás, estou a quebrar meu record de tempo longe de avião: 62 dias. Inacreditável. Claro que final de janeiro está aí: e então a contagem começa de novo. Mas por hora estou de parabéns.
Ano Novo, etc.
Segunda-feira, 7 de janeiro. Para muitos, 2008 começa hoje. Acabaram-se as festas. Quem tem que trabalhar foi trabalhar; quem pode tirar férias foi viajar. Fiquei eu, nesse meu trabalho que tem cara de férias, mas que me dá mais trabalho que trabalho. De volta ao batente.
Começo pelo mais importante e imprescindível na vida do cidadão moderno: o email. Hora de agradecer os Feliz Natais desejados e desejar os desejos de Feliz Ano Novo. A maior parte dos meus emails foi para Toronto, e terminou com a saudação “te vejo antes do fim do mês.”
Tal repetição me fez perceber que 5 meses em Brasília passaram rápido demais. E só o pensamento de que estarei em Toronto antes de janeiro acabar me deu um frio na barriga. Ou será talvez gastrite? Não sei dizer.
O fato é que a partir de hoje vou substituir o café pelo chá verde. Segundo o filme “Alguém tem que ceder,” chá verde tem as funções acordantes do café, sem o efeito colateral de deixar a gente meio maluco. Como nesses dias meu nível de paciência tende a zero, a irritação tende ao infinito, a concentração é quase nula, a fadiga é considerável (apesar do sono bem acumulado durante a folga natalina), e a gastrite ameaça substituir a tendinite só para me manter atenta, decidir começar 2008 a base de chá verde. Vamos ver o que acontece.