Retomamos agora nossa programação light normal.
Para aqueles que perderam (ou já esqueceram) os dois primeiros capítulos dessa novela, eis aqui um Vale a Pena Ver de Novo:
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Parte 3:
Viagem no tempo, e vice-versa
Fomos então lanchar, o meu amigo com mãos abanando pedindo para me ajudar; e eu, com mochila e violão nas costas, recusando ajuda. Os motivos da recusa: o costume de carregar a mochila é tanto que sem ela eu me sinto despida. Quanto ao violão, acrescenta-se ao costume o ciúme (“nele ninguém tasca”) e a separação iminente (“deixa-me despedir do Arquimedes”).
Como haviámos chegado com bastante antecedência, tínhamos mais duas horas para matar antes do embarque. Andamos vagarosamente de uma ponta a outra do terminal, com direito a parar para observar todas as exposições permanentes do aeroporto (eu adoro aqueles cubos flutuando num aquário. Dá uma paz…). Finalmente sentamos para lanchar um lanche caro e sem graça, só mesmo para passar o tempo (as opções de lanche do aeroporto de Toronto são péssimas. O aeroporto de Brasília dá de mil.)
Jogamos conversa fora. Comparamos nosso passado, presente e futuro de viajantes. Lembramos da época em que gostávamos de tirar onda de “qual seu aeroporto favorito?” e de trocar figurinhas sobre as melhores maneiras de evitar o jetlag, ou de conseguir dormir num vôo intercontinental.
Refletíamos, nostálgicos, sobre o tempo em que achávamos tiração de onda uma pessoa dizer que estava cansada de tanto andar de avião. Como alguém pode cansar de viajar de avião? Nós sorríamos lembrando dos tempos longínquos em que só de pensar em andar de avião dava frio na barriga; na época em que contávamos nos dedos os dias que faltavam para a viagem, os olhos de colecionador já brilhando ao sonhar com os inúmeros sachês e outras coisinhas congêneres a serem adquiridos como troféu.
Foi-se o tempo. O futuro chegou e agora era nossa vez de tirar onda de quem não aguenta mais tanta viajação. Ousei dizer em voz alta algo que há muito sentia, mas que nunca havia tido coragem de falar para ninguém: que se fosse para passar os próximos cinco anos sem viajar para lugar nenhum, até que eu não achava ruim. Vi pelos olhos de meu amigo que eu tinha acertado em cheio um sentimento que ele não sabia que tinha, e ele sorriu para mim agradecido.
Acaba que essa história não acaba em três partes. Talvez em três vez três. Que novela, não?
Não perca a quarta parte deste trio elétrico de aventuras, em breve ou não) num blog perto de você.