Foi tão estranho que choveu…

Sabe quando acontece uma coisa
bem surpreendente e a gente fala:

“Nossa, que surpresa! Vai chover!”

Às vezes é um telefonema inesperado.
Às vezes uma visita há muito só na promessa.
Às vezes o cônjuge, prole ou similar
que resolve do nada
lavar a louça, ou arrumar a cama.

Neste primeiro dia de outubro
ocorreu algo bem surpreendente.
Choveu.
Pela primeira vez desde o dia 29 de maio último.

O domingo trouxe boatos de garoa esparsa e breve aqui e ali. Só para dar vontade. Eu mesmo não vi, nem acreditei muito em quem falou que viu. Afinal, a previsão de chuva era só para fim de outubro, talvez meados.

Mas no começo da noite da segunda
não foi boato nem garoa.
O céu veio todo a baixo, de uma vez, 
com direito a relâmpago e trovoada.

O clima era de quadrilha de festa junina.
De um lado da rua se gritava:
“Olha a chuva!”
E o outro lado respondia:
“É mentira!” 

Até que todo mundo debruçou na janela,
achando a chuva melhor que a novela.
Crianças pulavam, pessoas gritavam.

Até fogo de artifício resolveu se fazer
de trovão e raio e entrar na festa.
O clima era de fim de campeonato.

E meu pai que sempre achou ruim
quando a previsão do tempo chamava chuva
de “mau tempo” ou “tempo feio”
olhava com o resto da cidade
a lindura do toró
seu presente de aniversário
mais desejado

O clima era mais festivo que final de campeonato
Era mais festivo
que festa de São João ou de aniversário
O fim era do inverno; a chuva venceu a seca

E a festa
era a primavera
Cai, chuva!
Hoje o céu está tão lindo
Cai, chuva!
Meu amigo,
Tim Maia
Meu amigo,
cai chuva

Minha amiga
chuva
cai.

2 Comentários »

  fan wrote @

nossa, muito poético. achei muito emocionante. assim fica mais fácil entender aquelas sociedades ditas “primitivas” que celebravam o “tempo de colheita”, ou “festa da chuva” ou civilizando: o “baile de primavera” – enfim, o lado bom desse sofrimento que acompanhei das pessoas tão queridas de brasília, é ver a “urbanidade” lembrando que tem um pouco mais de gente do que os que vivem ou vieram da roça que dependem que caia água do Céu. “Cai Chuva”.

Beijo, Fan.

  Luna wrote @

Muito bom!
E foi desse jeito que as pessoas ficaram, acho que “nunca” ninguém pensou que Brasília passaria por uma seca e calor tão grande.
As reações das pessoas foram de uma euforia tão grande.
E comigo não foi diferente.
Estavamos na escola (na aula) quando de repente escutamos umas crianças gritando “Chuvaaaaaaa” “Olhaaaa chuva” e ficamos surprendidos com todo alvoroço. Foi estranho, mas ao mesmo tempo divertido.
Finalmente chouveu. Para a alegria de todos.

Adorei o seu BLOG. Ainda não li tudo, mas assim que lê eu comento.

Ótima NOITE!
E uma MARAVILHOSA semana!

Beijo,
Luna.


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